Artistas

Véio – Cicero Alves dos Santos

Nossa Senhora da Glória / SE *1948

O Cícero, o nosso Veio, já se apresenta como uma das maiores expressões Brasileiras da arte contemporânea
Vem São Paulo, vem o Rio e Veneza, nada interfere nessa grandeza do talho à mostrar o Brasil rude e sofisticado – Pedro Olivotto

Eu sou parceiro da natureza. Ela cria e muitas vezes deixa para que eu termine. A madeira é como uma pedra diamante para lapidar”. Véio

Cícero Alves dos Santos nasceu em 1948  em Nossa Senhora da Glória, sertão de Sergipe, onde vive até hoje. Aprendeu. no seu caminhar pela caatinga, a respeitar e coletar a matéria prima que a natureza lhe fornece sem cortar nenhum árvore. Ele encontra galhos, gravetos, troncos já secos, matéria prima recolhida em parceira com o meio ambiente. Com apenas o primeiro grau completo, o artista se tornou, em março de 2024, doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Sergipe, em reconhecimento à importância de sua obra e conhecimento da cultura popular sertaneja. Galhos e troncos da caatinga se tornam obras de arte talhadas a partir do imaginário do artista que tem fama internacional.

Desde a infância, sua predileção por ouvir histórias de pessoas mais velhas rendeu-lhe o apelido. Autodidata, Véio sempre se interessou pelo folclore nordestino e pela vida sertaneja, o que se reflete em suas esculturas.

Explorando inicialmente materiais como cera de abelha e barro, Véio logo se dedicou à escultura em madeira, aproveitando materiais descartados de derrubadas e loteamentos em matas locais. Parte da renda obtida com suas obras é destinada à preservação desses ambientes naturais. Suas esculturas, caracterizadas pelo longo comprimento dos membros, retratam seres, mitos e lendas – a vida e os costumes do sertão.

Ao lado de sua casa, Véio criou o Sítio Soarte, um museu ao ar livre conhecido como Museu do Sertão, onde recria o modo de vida sertanejo por meio de suas obras. Contrariando a ideia de preservação, Véio acredita que suas peças devem seguir o ciclo natural, nascendo e morrendo ao ar livre.

Com obras em acervos renomados como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e o Museu de Arte do Rio, Véio participa de exposições nacionais e internacionais, destacando-se por sua abordagem única que mescla elementos simples com cores intensas.

Segundo o crítico de arte Rodrigo Naves, Véio fez da preservação da memória de seu povo a razão de sua existência, criando uma categoria de arte única que mistura o tradicional com o contemporâneo. Sua convivência com o ambiente dinâmico das feiras locais contribui para sua inspiração, tornando-o um sertanejo incomum e talentoso.

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