José Petrônio Faria nasceu em 1967, no interior de Alagoas. Começou sua relação com a arte quando ainda jovem fazia pequenos trabalhos para pessoas que cumpriam promessas religiosas em Juazeiro. Naquela época, era comum que senhoras devotas de Padre Cícero e Frei Damião encomendassem objetos de fé, o que acabou influenciando profundamente sua sensibilidade artística.
A virada em sua trajetória aconteceu em 2001, quando passou a viver em um acampamento do movimento sem-terra. Lá conheceu Fernando Kalu, artista e morador da Ilha do Ferro, que o desafiou a esculpir ex-votos – pequenas esculturas com valor simbólico e religioso. Com o tempo, seu trabalho ganhou reconhecimento. Um amigo de seu falecido pai viabilizou sua primeira exposição, o que abriu portas para entrevistas em emissoras de TV e a partir desse momento, seu trabalho passou a ter visibilidade nacional, e ele se consolidou como artista popular.
Petrônio desenvolve obras profundamente ligadas ao imaginário do sertão e à estética rústica da Ilha do Ferro. Suas criações exploram elementos simbólicos e fantasiosos, preservando a tradição local e ao mesmo tempo abrindo espaço para interpretações além do real. Segundo ele, a arte da Ilha do Ferro reflete o imaginário coletivo, aquilo que vai além da razão e da lógica: “coisas além da imaginação”.

